sábado, 20 de novembro de 2010

20 de novembro: dia da consiencia negra

Negra Realidade





“Todo homem é igual perante a lei”, assim declara a Constituição Brasileira, mas será que na pratica negras (os) e brancas (os) são iguais? Fisiologicamente sim, socialmente não. Por mais que a população diga que quase não existe preconceito racial e eles conseguem viver com o que é oposto, essas afirmações ficam atravessadas.

Quem nunca se deparou com a situação de encontrar um negro e ficar com medo de ser assaltado ou dela fazer algo com a pessoa? Na maioria das vezes, ele não quer nada demais a não ser uma informação. As pessoas devem não se prender aos conceitos, quer dizer aos PRECONCEITOS; conviver com brancos e negros da mesma forma, aceitar os seus costumes e crenças. Mas infelizmente nem todos estão aptos a conviver com diferenças raciais. Um exemplo disso aconteceu em 2009, uma das didáticas da Universidade Federal de Sergipe foi pichada com xingamentos contra os negros, dizendo que eles não tinham capacidade para estarem lá e por isso precisavam de cotas raciais, e que o lugar deles era na senzala e que alguns alunos dos cursos de Medicina, Odontologia, Direito, Geografia e História iriam partir para a violência física contra eles. O maior absurdo é que esses universitários que escreveram isso se esqueceram que o povo brasileiro foi formado pela miscigenação de negros, brancos e índios e o Nordeste é mais miscigenado ainda. O povo africano deixou muitas heranças culturais que foram de suma importância para a formação cultural e gastronômica do Brasil, alguns exemplos são: O berimbal, a capoeira, a galinha d’angola, o óleo de Dendê, a feijoada, o acarajé, o vatapá, a moqueca, o samba, o maracatu, o coco, o maxixe, o jongo, o carimbo, a lambada, entre outras influencias.

Os negros chegaram ao Brasil como escravos para trabalhar nas lavouras de cana de açúcar do Nordeste, no inicio da colonização brasileira, e nas lavouras de café como mão-de-obra barata, sofriam muitos castigos físicos; a expectativa de vida dos escravos era de 40 anos. As escravas que trabalhavam na casa grande serviam sexualmente aos Senhores de Engenho. Os negros se alimentavam muito mal e eram forçados a abandonar as suas crenças e os seus costumes. A forma que os negros encontraram para resistir a todos os abusos foi fugindo; os que não faziam isso quebravam as suas ferramentas ou faziam corpo mole, além do sincretismo religioso (eles admiravam as imagens dos santos católicos, mas estavam com a mente e o olhar voltados para os seus deuses e os seus rituais africanos). O absurdo é que os Senhores de Engenho estavam explorando seres humanos, pessoas como eles que só se diferenciavam na sua cor e em seus costumes; mas a história explica isso, para um pequeno grupo ter bem estar é preciso que se explore e humilhe as camadas mais baixas. A lei Áurea foi assinada, mas os negros continuaram à margem de qualquer beneficio e escravos do preconceito que todas as pessoas têm.

Não é só o homem negro que sofre preconceito, a mulher negra também. Ser Mulher no Brasil já é difícil, ser mulher e negra é quase impossível. A mídia mostra um preconceito escancarado, na maioria das novelas as mulheres negras são pessoas pobres, sofredoras, só em algumas que elas são protagonistas. Para apagar o passado e contornar os erros, estão sendo criadas cotas raciais em muitas instituições, até em desfiles tem cotas; parece que os negros não têm capacidade de conseguir as coisas, que os brancos têm que facilitar. Há também o fato de que muitos donos de empresas quererem contratar pessoas brancas em vez de negras. Em 1999 os negros e pardos recebiam dois salários mínimos, enquanto os brancos recebiam 5 salários; em 2006 a proporção de negros em situação de pobreza era duas vezes maior do que brancos. As mulheres negras apresentam baixa escolaridade, pois em sua maioria são pobres e precisam abandonar a escola para poder ajudar na renda familiar ficando assim com os piores empregos e aquelas que conseguem estudar e ter um emprego paga muito caro, tendo que abrir mão do lazer, do namoro, do casamento e da realização da maternidade.

Mas em meio disso tudo no Brasil ainda existe exemplos de mulheres negras que são muito talentosas, inteligentes e que fazem a diferença no meio onde vivem. Aqui estão alguns exemplos: Dona Ivone Lara, a primeira sambista mulher em um espaço onde só havia homens; a escrava Anastácia, que era uma escrava muito bonita que despertava os ciúmes das sinhazinhas e devido a isso foi muito torturada; Marina Silva; aprendeu a ler muito tarde e mesmo assim não desistiu e formou-se em História e é pós graduada em Psicopedagogia, Taís Araujo, uma das mais famosas atrizes da Rede Globo de Televisão, que começou a sua carreira com 17 anos e foi a primeira atriz negra a protagonizar uma novela; Benedita da Silva, ativista do movimento negro e feminista, entrou para a história política nacional como a primeira senadora negra do país; Elisa Lucinda, considerada uma das mais talentosas poetisas brasileiras da atualidade; é promotora de saraus e criou a Associação Brasileira de Estudos de Declamação; Ruth de Souza, na década de 40 foi co-fundadora do Teatro Experimental do Negro (TEN) – uma forma de dramaturgia que ajudou na valorização e no descobrimento de muitos artistas negros; Zezé Mota, ganhou fama internacional interpretando a escrava Xica da Silva no filme de mesmo nome em 1976, foi uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Informação e Documentação (CIDAN) em 1984 que teve como objetivo abrir espaço para outros negros talentosos; Isabel Filardes, ajuda portadores de cuidados especiais através da campanha “A Força do Bem” e também criou a ONG “Doe seu Lixo”, que ajuda na coleta seletiva, revertendo o lixo em fundos para questões socioambientais; Gloria Maria, uma das mais importantes e respeitadas jornalistas da televisão brasileira, além de outras mulheres negras conhecidas e anônimas que contribuíram e contribuem para a sociedade brasileira.

O racismo é uma praga cultural, que se não for arrancada da mente e do coração das pessoas; terá conseqüências muito mais catastróficas do que atualmente.

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